Arquivos do tópico ‘Relações Familiares’

Caminhando para Nós Mesmos

Familia Idosa

Familia Idosa

Desde o nascimento o homem caminha para a sua solidão, como se não bastasse o caminhar para o seu próprio fim.

Na infância e juventude, ainda sem entender os porques, vai sendo levado pelo borbulhar das quimeras e tudo é festa, tudo é ilusão, tudo é fantasia, tudo é alegria!

Na idade adulta-jovem, voltado para o trabalho, para a família e para as atividades dos que dele dependem, caminha acelerado, ainda sem tanto sentir, sem tanto se aperceber.

Com o passar dos anos, quando os filhos crescem, já têm suas próprias famílias e se auto-independeram, percebem os pais tontos e atordoados que de repente se sentem estranhos, como se não mais se conhecessem. Inicia-se o processo de conscientização de que estão sós.

Mesmo que se esforcem para ainda fazerem parte do contexto da vida de seus filhos, bem no fundo estão sozinhos. Já não são mais a figura central como outrora; perderam o comando. São apenas figurantes: alguem que aparece porque está ali e não podem ser prescindidos daquela cena.

Quero me referir ao respeito (no sentido de apreço, atenção, consideração) que os filhos devem ou deveriam ter aos pais, que — ao invés de aumentar com o tempo, não só por serem seus pais mas por serem mais velhos — por incrível que pareça, diminui.  Mesmo levando-se em consideração de que há momentos em que as reações dos pais são desproporcionais aos fatos, ou seja, os pais ficam sensíveis demais e se melindram facilmente; justamente por não mais se sentirem a figura central da vida de seus filhos.

Idoso na praia

Idoso na praia

E assim nos sentimos como que estranhos a todos, especialmente a nós mesmos, e nos questionamos: O que ainda resta de mim? O que ainda resta do que fui e do que representei?

E então nos damos conta de que chegou a hora de nos recolhermos. Eles já não precisam mais de nós, já cumprimos nossa missão, precisamos dar ouvidos ao toque de retirada; sentimos agora que chegou o momento de iniciarmos o retorno para dentro de nós mesmos… Não porque não somos mais essenciais, mas porque eles enfim se independeram, cuidam de si e dos seus. Podemos agora nos preocupar conosco mesmos, para o bem de todos, mas especialmente o nosso. São introjeções que fortalecem o espírito e ajudam a renascer.

E eu me pergunto: estamos errados nós, pais ou estão errados eles, os filhos? Provavelmente os dois. Os filhos por não entenderem o valor maior que os pais representam em experiência, em esforco dispendido durante anos; o investimento não só financeiro mas principalmente emocional. Os pais por ainda cultivarem uma alta expectativa do retorno de pelo menos respeito. Respeito pelo que se foi, pelo que se é, pelo que se representa, pelo que se fez e pelo que ainda se pode fazer.

Essas reflexões são importantes porque nos conscientizam de nossas emoções e, uma vez delas conscientes, podemos ter a clareza mental necessária para mudar. Teremos que eximir da culpa os dois ou teremos que reeducar os dois? Acredito que é necessario reeducar os dois. Mas, e você, o que me diz?

 

Os arroubos da juventude

Os quilômetros percorridos pelas estradas sinuosas da vida, com todas as vivências acumuladas, trazem a experiência e a sabedoria que fazem de alguns pais verdadeiros terapeutas, não fosse pelo envolvimento emocional que permeia essa relação. Tais terapeutas bem que poderiam ser melhor aproveitados!

A autoridade bem administrada e a disciplina, temperadas com amor, são pré-requisitos que deveriam ser inerentes aos pais e que são necessários para que eles possam ensinar e serem ouvidos. Sabemos que muitas vezes eles são apenas escutados, quando o são.

Por que perdemos esse tempo tão valioso quando ainda temos nossos pais conosco? Por que não os ouvimos mais? Por que não aprendemos mais com eles? Por que não lhes falamos mais abertamente sobre nossas dificuldades? O que nos bloqueia?

Eu penso que os arroubos da juventude que fazem os jovens sentirem-se como super-hérois — acima do bem e do mal, muito longe da morte e das doenças — também lhes faz perceber os conselhos e orientações de seus pais como ultrapassados e fora de foco.

A vida lhes parece muito curta e a morte distante demais ou inexistente. Vivem nesse frenético paradoxo, querendo viver tudo e de maneira muito rápida. O vigor da juventude é tão efervescente que não lhes dá tempo para ponderar e perceber que ainda têm muito a aprender.

Eu tive uma terapeuta nata a meu lado e me recordo dela com imensa saudade.

Mas e você, o que me diz?

 

Em relação à orientação familiar

Em uma família de relativas condiçoes financeiras, nem tanto estruturada como deveria ser pela ausência de um bom pai; a mãe — agora responsável por todas as decisões — perde a oportunidade de ser a boazinha, e agora vive o dilema de querer ser a boazinha e ao mesmo tempo precisar usar de sua autoridade como o cabeça da família,  para que o núcleo familiar prossiga sem sofrer solução de continuidade.

Como todos não pensam como um — o que por um lado é sorte, por outro pode ser a falta dela — uns conseguiram fazer amizades, outros preferiram ficar mais recolhidos e outros preferiram fugir do círculo de orientação e buscaram seus próprios caminhos, talvez dando mais atenção ao que lhe parecia mais alegre, mais leve, com menos amarras , mas podendo trazer sofrimento tanto para sí como para outros.

Eu me questiono: A respeito do amor fraternal e em relação à orientação familiar, o castigo corrige o caminho? E por que existe a tendência da maioria dos jovens dar mais importância  ao que aprendem fora de casa do que lhes ensinam seus pais?

Eu penso que a ansiedade da mãe para não perder o controle a fez pensar que  poderia conciliar as posições de amiga, de líder, de educadora; o que no papel pode parecer fácil, mas na vida real se transforma e pode tomar várias conotações. Isto por que  na maioria das vezes os filhos têm a tendência de ver a mãe como aquela que cerceia, que poda, que castra, e se voltam mais para os amigos que vivem as mesmas inquietações e que buscam os mesmos caminhos; que os aceitam e não lhes mostram seus erros até porque tambem podem nem reconhecer o que está errado.

As perguntas podem parecer triviais, mas e você, o que me diz?

 
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