Escrito sob Relações Familiares em 20/12/2008 14:34 by Sonia
Os quilômetros percorridos pelas estradas sinuosas da vida, com todas as vivências acumuladas, trazem a experiência e a sabedoria que fazem de alguns pais verdadeiros terapeutas, não fosse pelo envolvimento emocional que permeia essa relação. Tais terapeutas bem que poderiam ser melhor aproveitados!
A autoridade bem administrada e a disciplina, temperadas com amor, são pré-requisitos que deveriam ser inerentes aos pais e que são necessários para que eles possam ensinar e serem ouvidos. Sabemos que muitas vezes eles são apenas escutados, quando o são.
Por que perdemos esse tempo tão valioso quando ainda temos nossos pais conosco? Por que não os ouvimos mais? Por que não aprendemos mais com eles? Por que não lhes falamos mais abertamente sobre nossas dificuldades? O que nos bloqueia?
Eu penso que os arroubos da juventude que fazem os jovens sentirem-se como super-hérois — acima do bem e do mal, muito longe da morte e das doenças — também lhes faz perceber os conselhos e orientações de seus pais como ultrapassados e fora de foco.
A vida lhes parece muito curta e a morte distante demais ou inexistente. Vivem nesse frenético paradoxo, querendo viver tudo e de maneira muito rápida. O vigor da juventude é tão efervescente que não lhes dá tempo para ponderar e perceber que ainda têm muito a aprender.
Eu tive uma terapeuta nata a meu lado e me recordo dela com imensa saudade.
Mas e você, o que me diz?
Escrito sob Relações Familiares em 15/12/2008 14:14 by Sonia
Em uma família de relativas condiçoes financeiras, nem tanto estruturada como deveria ser pela ausência de um bom pai; a mãe — agora responsável por todas as decisões — perde a oportunidade de ser a boazinha, e agora vive o dilema de querer ser a boazinha e ao mesmo tempo precisar usar de sua autoridade como o cabeça da família, para que o núcleo familiar prossiga sem sofrer solução de continuidade.
Como todos não pensam como um — o que por um lado é sorte, por outro pode ser a falta dela — uns conseguiram fazer amizades, outros preferiram ficar mais recolhidos e outros preferiram fugir do círculo de orientação e buscaram seus próprios caminhos, talvez dando mais atenção ao que lhe parecia mais alegre, mais leve, com menos amarras , mas podendo trazer sofrimento tanto para sí como para outros.
Eu me questiono: A respeito do amor fraternal e em relação à orientação familiar, o castigo corrige o caminho? E por que existe a tendência da maioria dos jovens dar mais importância ao que aprendem fora de casa do que lhes ensinam seus pais?
Eu penso que a ansiedade da mãe para não perder o controle a fez pensar que poderia conciliar as posições de amiga, de líder, de educadora; o que no papel pode parecer fácil, mas na vida real se transforma e pode tomar várias conotações. Isto por que na maioria das vezes os filhos têm a tendência de ver a mãe como aquela que cerceia, que poda, que castra, e se voltam mais para os amigos que vivem as mesmas inquietações e que buscam os mesmos caminhos; que os aceitam e não lhes mostram seus erros até porque tambem podem nem reconhecer o que está errado.
As perguntas podem parecer triviais, mas e você, o que me diz?
Escrito sob Geral em 11/12/2008 20:23 by Sonia
Espírito inquieto, mente buliçosa. Do tempo em que mais se ouvia do que podia falar. As perguntas calavam sem respostas. Os dramas do viver humano, os sofrimentos, as mágoas, as revoltas, as dores me inquietavam e faziam pensar; mas só pensava e tentava evitar esses caminhos, dentro da medida do possivel.
Mais tarde descobri que poderia entender mais o porquê desses dramas e quis conhecer mais sobre os segredos da mente. Aquilo me fascinava! E eu busquei em cada revista, em cada livro, em cada reportagem. Onde pudesse ler sobre esses assuntos, lá estava eu embevecida. E não podia ser de outra maneira: estudei medicina e escolhi como área de atuação a Psiquiatria. Sempre foi motivo de alegria quando alguém me perguntava: “Qual é a sua especialidade?” e eu respodia “Psiquiatria”.
Foi um sonho por muito tempo acalentado e decidido com a certeza de que era realmente isso que eu queria fazer por toda a minha vida. E ainda hoje não me vejo em outro lugar ou fazendo qualquer outra coisa: ajudar o outro, ouvi-lo, ampará-lo, acolhê-lo; mostrar a ele que existe sim outro caminho, que é possível sim, fazer-se feliz!
Há muitos anos desempenho esse mister e a cada dia com forças renovadas e com um desejo maior de fazer melhor. E tenho sido bem sucedida! Posso realmente me considerar realizada como profissional, sobretudo porque sempre procurei dar o que de melhor possuía.
E agora já pensando em me afastar do consultório, novamente me inquieto e vejo que ainda posso continuar fazendo mais. E é por isso que estamos aqui, agora utilizando as novas tecnologias; e aqui estou para debater com vocês os emaranhados da vida humana, as inquietações, os sofrimentos e tambem os caminhos da vitória!
E você, o que me diz?