Recomeço

Fiquei um tempo sem escrever. Retorno com uma poesia escrita para uma amiga que vive há mais de vinte  anos em descompasso com um marido que simplesmente não gosta de trabalhar, nunca pára para fazer absolutamente nada que possa ajudar sua esposa a crescer e pagar todas as contas da família.

Ela é uma mulher que teve bons pais, severos, como nos tempos de antigamente, mas bons pais, pois lhe passaram valores perenes. Chegou a iniciar curso superior em Universidade Federal, mas, por conta do mal casamento sem a aprovação da família, teve que trabalhar e largar a Universidade. Desde tenra idade trabalha duro. Paga aluguel e todos os outros encargos de sua vida pessoal e profissional.

O marido vive sempre rindo, não se preocupa com absolutamente nada, inclusive com o bem-estar da esposa. De baixa escolaridade e com um desnível intelectual elevado, usa linguajar indesejável e escrachado, ferindo-a grandemente.

Mesmo comigo que fui sua amiga quando morávamos na minha cidade natal, e confidente até certo ponto, não se deixa penetrar, deixando no entanto a quase certeza de que apesar de tudo, prefere estar com ele do que longe dele. A dependência afetiva e emocional me parece muito grande; outras vezes me parece ter medo de enfrentar o futuro sozinha, pois ainda carrega os ransos de uma sociedade machista e condenativa, embora os tempos tenham mudado bastante.

Na verdade, com certeza, quem precisa mudar e muito, é minha pobre amiga que volta e meia se afunda em sofrimento e dor.  E assim, certo dia, ao visitá-la como sempre faço, encontrei-a abatida e extremamente acabrunhada. Não foi preciso muito, para descobrir que mais uma vez, ele a havia magoado profundamente. Estava descabelada, pálida e com os olhos inchados de tanto chorar. Tentei confortá-la. Não sei se consegui.

O que sei realmente é que não consegui dormir à noite sempre pensando de que forma ou maneira poderia ajudá-la. Veio-me então a inspiração para escrever algo que a pudesse confortar e puxá-la para cima desse poço de amargura que a sufocava:

RECOMEÇO
———————-

É única e pessoal
A experiência do viver e do amar
Não há nenhuma novidade
Nesse dito quase popular

Aprendemos que nossas escolhas
Definem os sucessos e os fracassos
Em quase todas as esferas do nosso existir
Precisamos no entanto entender
Que a qualquer momento
De um espinhoso percurso
Podemos mudar ou redefinir.

Sabemos que nascemos
Para felizes ser
Cantar, amar, sorrir
E flores de alegria colher.

Por que então
Permanecemos no caos
De um pueril quer?
Atadas, tolhidas, acanhadas, espremidas
Nesse tão mesquinho viver?

Onde está nossa coragem?
Onde nossa força se acovardou?
A esquecemos como a uma bola furada,
Um brinquedo velho que se quebrou?

Por que mulheres inteligentes
Bondas, meigas, suaves
Teimam em emprestar-se
A assumir um papel
A ocupar um lugar
Que sabemos não ser seu?

Abre-te à coragem
Abre-te ao novo
Não tenhas medo de ser feliz
E a felicidade sobre ti cairá
Como um reluzente chafariz

A felicidade é tua
Ela te pertence
Ela é teu legado
Ela está no teu divino DNA
Coragem mulher!
Não tenhas medo de recomeçar!
 

A Arte de Se Fazer Simpatizar

Ser simpático ou antipático pode depender da decisão do que se quer para sí; ou seja, é uma questão de escolha.

Perdemos a simpatia quando com frequência assumimos comportamentos, atitudes e ações que magoam, constrangem ou irritam os que conosco convivem.

Precisamos reconhecer alguns padrões de comportamento que nos podem fazer perder a simpatia:

  • Eximir-se sempre da culpa de tudo o que acontece de ruim e imediatamente transferí-la para outrem.
  • Estar sempre reclamando e parecendo chateados.
  • Nutrir um sentimento que não conseguem perceber ou aceitar, que é a inveja.
  • Estar sempre se fazendo de vítimas.
  • Sentir pena de si mesmos e se comportarem como se não tivessem qualquer poder sobre suas vidas.
  • Estão sempre jogando uma pitada de veneno em alguém que geralmente se encontra ausente e não pode se defender.
É preciso mudar isto! É preciso refletir por que estamos sendo tão severos com os que nos rodeiam, por que estamos sempre querendo denegrir a imagem de alguém, diminuí-la aos olhos dos outros.

Não vivemos sós. Vivemos em sociedade. Temos família, amigos, parentes, colegas de trabalho e estamos todos seguindo juntos nesta viagem pelas estradas da vida. Por que então, não tornarmos esta caminhada melhor?

Sabemos que ninguém é perfeito. Ha’ dias em que estamos cansados, irritados e mau humorados, mas nada justifica falta de educação, falta de ética e sensibilidade. Respeitar a ausência é bom e todos agradecem. Um bom parametro seria usar a boa e velha regra de ” fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem conosco.”

Precisamos entender que se não nos policiarmos e não melhorarmos nossas atitudes e comportamentos, vamos ficar cada dia mais amargos. E o que é pior, com o tempo, as pessoas vão se afastar de nós; já não seremos mais bem-vindos nas reuniões sociais, pois seremos reconhecidos como alguém que tem sempre algo de ruim para dizer sobre outras pessoas; não sendo de admirar que logo logo sejamos repudiados pelos que nos rodeiam, muitas vezes sem percebermos, aliviando até o ambiente quando dele nos afastamos.

A decisão de se fazer simpatizar, somente nós podemos tomar. Estamos dispostos a cuidar bem de nossas relações interpessoais ou vamos continuar nos comportando de maneira negativa. Alimentar esse comportamento é como alimentar um mau hábito, que com o tempo, vai se transformar num vício como qualquer outro mais grave.

Como tudo que é importante na vida, cuidar bem de nossos relacionamentos exige desejo, vontade, empenho, compromisso consciente, mas, sobretudo AÇÃO:

  1. Precisamos trabalhar para fazer da alegria, nossa companheira diária e  do sorriso no rosto, nosso cartão-postal, sem esquecermos de que quando sorrimos, até nas fotos ficamos mais bonitos!
  2. Fortalecer nosso auto-controle cultivando o bom humor. Temos aprendido que o homem que tem domínio sobre si mesmo pode superar mais e melhor os obstáculos.
  3. Fazer uma poupanca emocional – significa fazer coisas que nos dão prazer,  nos fazem melhores e nos deixam renovados: pode ser caminhar, correr dançar, pintar,escrever um diário e  até um livro. Não minimize sua capacidade!

A chave então é focar-se nas qualidades positivas das pessoas, pois como tudo na vida existe sempre o lado bom e o lado ruim. Lembrando sempre a velha regra que diz: “se  não temos nada de bom para falar de alguém, devemos ficar calados.” Nossas chances de nos fazermos  simpatizar vão crescer, pois o otimismo e o bom humor são contagiosos, e o mau humor e as fofocas não fazem bem a nenhum de nós.

E você, o que me diz?

 

Caminhando para Nós Mesmos

Familia Idosa

Familia Idosa

Desde o nascimento o homem caminha para a sua solidão, como se não bastasse o caminhar para o seu próprio fim.

Na infância e juventude, ainda sem entender os porques, vai sendo levado pelo borbulhar das quimeras e tudo é festa, tudo é ilusão, tudo é fantasia, tudo é alegria!

Na idade adulta-jovem, voltado para o trabalho, para a família e para as atividades dos que dele dependem, caminha acelerado, ainda sem tanto sentir, sem tanto se aperceber.

Com o passar dos anos, quando os filhos crescem, já têm suas próprias famílias e se auto-independeram, percebem os pais tontos e atordoados que de repente se sentem estranhos, como se não mais se conhecessem. Inicia-se o processo de conscientização de que estão sós.

Mesmo que se esforcem para ainda fazerem parte do contexto da vida de seus filhos, bem no fundo estão sozinhos. Já não são mais a figura central como outrora; perderam o comando. São apenas figurantes: alguem que aparece porque está ali e não podem ser prescindidos daquela cena.

Quero me referir ao respeito (no sentido de apreço, atenção, consideração) que os filhos devem ou deveriam ter aos pais, que — ao invés de aumentar com o tempo, não só por serem seus pais mas por serem mais velhos — por incrível que pareça, diminui.  Mesmo levando-se em consideração de que há momentos em que as reações dos pais são desproporcionais aos fatos, ou seja, os pais ficam sensíveis demais e se melindram facilmente; justamente por não mais se sentirem a figura central da vida de seus filhos.

Idoso na praia

Idoso na praia

E assim nos sentimos como que estranhos a todos, especialmente a nós mesmos, e nos questionamos: O que ainda resta de mim? O que ainda resta do que fui e do que representei?

E então nos damos conta de que chegou a hora de nos recolhermos. Eles já não precisam mais de nós, já cumprimos nossa missão, precisamos dar ouvidos ao toque de retirada; sentimos agora que chegou o momento de iniciarmos o retorno para dentro de nós mesmos… Não porque não somos mais essenciais, mas porque eles enfim se independeram, cuidam de si e dos seus. Podemos agora nos preocupar conosco mesmos, para o bem de todos, mas especialmente o nosso. São introjeções que fortalecem o espírito e ajudam a renascer.

E eu me pergunto: estamos errados nós, pais ou estão errados eles, os filhos? Provavelmente os dois. Os filhos por não entenderem o valor maior que os pais representam em experiência, em esforco dispendido durante anos; o investimento não só financeiro mas principalmente emocional. Os pais por ainda cultivarem uma alta expectativa do retorno de pelo menos respeito. Respeito pelo que se foi, pelo que se é, pelo que se representa, pelo que se fez e pelo que ainda se pode fazer.

Essas reflexões são importantes porque nos conscientizam de nossas emoções e, uma vez delas conscientes, podemos ter a clareza mental necessária para mudar. Teremos que eximir da culpa os dois ou teremos que reeducar os dois? Acredito que é necessario reeducar os dois. Mas, e você, o que me diz?

 

Como sempre, o amor

Em mais um final de dia de trabalho, um paciente angustiado e deprimido após mais uma contenda e término do relacionamento com sua companheira,  relatou-me toda sua historia e, após ouvir-me agora já mais aliviado, levantou-se, agradeceu e despediu-se com a frase: “Espero que dê certo”.

Eu fiquei sozinha, e avaliei por que existem tantos conflitos nos relacionamentos dos casais, com consequente mágoas, dissabores, lágrimas e tanto tempo desperdiçado, tempo esse que bem poderia estar sendo aproveitado para sorver o que de tão gostoso existe em todos os momentos em que se está com  quem se ama ou com quem se escolheu para amar…

Mas, é isso possível acontecer? É possivel dar certo?

O desejo de fazer acontecer tem que ser de ambos ou será que somente um pode realizar o trabalho que deveria ser dos dois? Que estrutura, que elementos, que ingredientes tem que ter esse viajor solitário que deseja ser feliz com o outro, mesmo que o outro  não pense da mesma forma, ou  não tenha chegado a esse entendimento?  Imaturidade, descompasso, sonhos diferentes?

O ingrediente principal é o AMOR, como sempre o amor, tão cantado em prosa, versos e melodias. O amor que todos procuram e que muitas vezes nunca encontram, porque como dizia Vinícius de Moraes:

A vida é a arte do encontro,
embora existam tantos desencontros pela vida.

Cada um dos pares carregando sua historia de vida, a educação recebida, suas cicatrizes familiares e com o agravante que nem todos conseguem manter uma relação saudável consigo mesmo; relação essa tão necessária para qualquer outro relacionamento na vida; pois se não for assim, seremos um fardo para nosso companheiro, pois vamos procurar nele o que deveríamos possuir em nosso íntimo e — fazendo as coisas certas pelos motivos errados — fatalmente lutaremos com a decepção que brota de esperar de alguem o que nós mesmos deveríamos dar-nos.

Somos seres diferentes, logo o desejo de um pode não ser o mesmo desejo do outro. O gosto de um pode não ser o mesmo gosto do outro e aí muitos se perdem quando acreditam que a lei da física: “os
opostos se atraem” é a mesma para os relacionamentos;  e aí podem se afundar num mar de lágrimas, lamentações, amarguras, infelicidade.

Nenhum ser humano mentalmente saudável pode ser feliz quando seu companheiro sofre ou está triste. Amar significa ficar feliz com a felicidiade do outro e empenhar-se nesse processo, pois quanto mais me dou, mais me preencho. Quando cada um se relaciona bem consigo mesmo e tem sua auto-estima bem trabalhada, pode facilmente compartilhar sua vida com outra pessoa, porque é segura, porque acredita no seu valor e na sua capacidade de ser feliz  e de fazer alguem feliz.

‘É, a vida é mesmo assim, uma arte circense, com luzes, ação, som, aplausos, emoções… mas, acima de tudo um equilibrar-se no picadeiro tendo a plena confiança de que o outro não se furtará ao nosso salto mortal. Logo, o amor implica confiança, que só é adquirida com o tempo e com a observância das ações e reações do companheiro para conosco e, especialmente para com os outros.

Assim, no amor como na vida,  não nos cumpre só esperar dar certo, mas fazer dar certo, e isso vale para os dois.

É como eu tenho refletido, mas, e você o que me diz?

 

Quando a solidariedade se esconde atrás do egoísmo

Casa alagada em Itajaí.

Casa alagada em Itajaí. Foto: AP Photo/Ricardo Moraes

Estávamos recentemente com um grupo de amigos e tivemos nossa atenção voltada para a notícia na TV que mais uma vez relatava o drama ora vivido pelas famílias que foram afetadas pelas enchentes que arrasaram algumas cidades do estado de Santa Catarina. O repórter, ao final da notícia, conclamava a todos os brasileiros a fazerem doações de toda espécie, com prioridade para água, agasalhos, alimentos não perecíveis, fraldas descartáveis, etc… O povo daquelas localidades estava arrasado pelas enormes perdas, inclusive de vidas humanas.

Ao término da notícia, os amigos se entreolharam com um misto de surpresa e espanto por tamanha calamidade e um deles falou que quem deveria ajudar e arcar com esses prejuízos era o governo, e que ele (a pessoa) era quem esstava precisando de ajuda.

O tom me pareceu meio sério, meio jocoso, mas extremamente inadequado para drama tão devastador. Fiquei pensando na tendência que temos de dizer não ao sofrimento do outro, ou de minimizá-lo e só acreditar que ele existe quando as desgraças acontecem conosco: Uma bala perdida, um sequestro, uma catástrofe ambiental, uma dissolução familiar, um carro roubado, a descoberta de um filho drogadicto, a morte de um familiar de maneira trágica, etc…

Desgraça em Itajaí, Santa Catarina

Desgraça em Itajaí. Foto: James Tavares/Secom-SC

Nessas ocasiões ouvimos sempre depoimentos com as mesmas palavras: “Eu pensava que só acontecesse com os outros, mas que nunca aconteceria comigo”. E quando acontece sentimos naquele momento o pêso do sofrimento que nos abate de maneira contundente, certeira e fatal. Nosso mundo desaba e chegamos a perguntar: “Por que eu?, por que comigo?” Parecíamos tão fortes, tão valentes, tão imunes a tudo. Poderia acontecer com qualquer pessoa, menos conosco.

Eu penso que a não valorização do sofrimento do outro pode decorrer por não nos atermos às nossas próprias vulnerabilidades, por não reconhecermos tambem a nossa própria fragilidade diante da vida. Alguns de nós chegam ao limite de, ao verem a dor e o sofrimento do outro, fecharem a porta da solidariedade, negarem uma porção de si a quem necessita, seja muitas vezes apenas ouvindo aquele necessitado em seus momentos difíceis, fazendo-nos por isso, áridos, alheios, distantes.

É uma pena, mas parece regra, que na maioria das vezes só aprendemos quando sofremos e só valorizamos o sofrimento do outro quando já passamos pelo mesmo caminho.

É como eu tenho percebido. E você, o que me diz?

 

Os arroubos da juventude

Os quilômetros percorridos pelas estradas sinuosas da vida, com todas as vivências acumuladas, trazem a experiência e a sabedoria que fazem de alguns pais verdadeiros terapeutas, não fosse pelo envolvimento emocional que permeia essa relação. Tais terapeutas bem que poderiam ser melhor aproveitados!

A autoridade bem administrada e a disciplina, temperadas com amor, são pré-requisitos que deveriam ser inerentes aos pais e que são necessários para que eles possam ensinar e serem ouvidos. Sabemos que muitas vezes eles são apenas escutados, quando o são.

Por que perdemos esse tempo tão valioso quando ainda temos nossos pais conosco? Por que não os ouvimos mais? Por que não aprendemos mais com eles? Por que não lhes falamos mais abertamente sobre nossas dificuldades? O que nos bloqueia?

Eu penso que os arroubos da juventude que fazem os jovens sentirem-se como super-hérois — acima do bem e do mal, muito longe da morte e das doenças — também lhes faz perceber os conselhos e orientações de seus pais como ultrapassados e fora de foco.

A vida lhes parece muito curta e a morte distante demais ou inexistente. Vivem nesse frenético paradoxo, querendo viver tudo e de maneira muito rápida. O vigor da juventude é tão efervescente que não lhes dá tempo para ponderar e perceber que ainda têm muito a aprender.

Eu tive uma terapeuta nata a meu lado e me recordo dela com imensa saudade.

Mas e você, o que me diz?

 

Em relação à orientação familiar

Em uma família de relativas condiçoes financeiras, nem tanto estruturada como deveria ser pela ausência de um bom pai; a mãe — agora responsável por todas as decisões — perde a oportunidade de ser a boazinha, e agora vive o dilema de querer ser a boazinha e ao mesmo tempo precisar usar de sua autoridade como o cabeça da família,  para que o núcleo familiar prossiga sem sofrer solução de continuidade.

Como todos não pensam como um — o que por um lado é sorte, por outro pode ser a falta dela — uns conseguiram fazer amizades, outros preferiram ficar mais recolhidos e outros preferiram fugir do círculo de orientação e buscaram seus próprios caminhos, talvez dando mais atenção ao que lhe parecia mais alegre, mais leve, com menos amarras , mas podendo trazer sofrimento tanto para sí como para outros.

Eu me questiono: A respeito do amor fraternal e em relação à orientação familiar, o castigo corrige o caminho? E por que existe a tendência da maioria dos jovens dar mais importância  ao que aprendem fora de casa do que lhes ensinam seus pais?

Eu penso que a ansiedade da mãe para não perder o controle a fez pensar que  poderia conciliar as posições de amiga, de líder, de educadora; o que no papel pode parecer fácil, mas na vida real se transforma e pode tomar várias conotações. Isto por que  na maioria das vezes os filhos têm a tendência de ver a mãe como aquela que cerceia, que poda, que castra, e se voltam mais para os amigos que vivem as mesmas inquietações e que buscam os mesmos caminhos; que os aceitam e não lhes mostram seus erros até porque tambem podem nem reconhecer o que está errado.

As perguntas podem parecer triviais, mas e você, o que me diz?

 

E você, o que me diz?

Espírito inquieto, mente buliçosa. Do tempo em que mais se ouvia do que podia falar. As perguntas calavam sem respostas. Os dramas do viver humano, os sofrimentos, as mágoas, as revoltas, as dores me inquietavam e faziam pensar; mas só pensava e tentava evitar esses caminhos, dentro da medida do possivel.

Mais tarde descobri que poderia entender mais o porquê desses dramas e quis conhecer mais sobre os segredos da mente. Aquilo me fascinava! E eu busquei em cada revista, em cada livro, em cada reportagem. Onde pudesse ler sobre esses assuntos, lá estava eu embevecida. E não podia ser de outra maneira: estudei medicina e escolhi como área de atuação a Psiquiatria. Sempre foi motivo de alegria quando alguém me perguntava: “Qual é a sua especialidade?” e eu respodia “Psiquiatria”.

Foi um sonho por muito tempo acalentado e decidido com a certeza de que era realmente isso que eu queria fazer por toda a minha vida. E ainda hoje não me vejo em outro lugar ou fazendo qualquer outra coisa:  ajudar o outro, ouvi-lo, ampará-lo, acolhê-lo; mostrar a ele que existe sim outro caminho, que é possível sim, fazer-se feliz!

Há muitos anos desempenho esse mister e a cada dia com forças renovadas e com um desejo maior de fazer melhor. E tenho sido bem sucedida! Posso realmente me considerar realizada como profissional, sobretudo porque sempre procurei  dar o que de melhor possuía.

E agora já pensando em me afastar do consultório, novamente me inquieto e vejo que ainda posso continuar fazendo mais. E é por isso que estamos aqui, agora  utilizando as novas tecnologias; e aqui estou para debater com vocês os emaranhados da vida humana, as inquietações, os sofrimentos e tambem os caminhos da vitória!

E você, o que me diz?